Melhores discos de Rock e Heavy Metal de 2017

E ai, pessoas. Beleza?

Então, como falei no post anterior, agora teremos mais textos por aqui, e temos alguns novos amigos que estão colaborando conosco nessa nossa resolução de fim de ano.

Pois então, hoje, eu apresento a vocês o Coveiro Lima, que estará sempre trazendo novos materiais relacionados a Rock e ao Heavy Metal.

Não vou me alongar muito na apresentação. Então, com vocês, o Coveiro Lima e sua lista dos melhores discos de Rock e Metal de 2017.

Melhores discos de Rock e Heavy Metal de 2017

Um dos anos mais difíceis para escolher.

Todo final de ano além da certeza do especial do Roberto Carlos e das listas de promessas para o ano seguinte que obviamente não serão cumpridas, também pipocam por todos os lados as listas de melhores discos do ano.
E claro, a nossa não poderia ficar de fora.Especificamente fazer uma lista de Rock e Metal não é uma tarefa das mais fáceis pois, de certa forma, esses seguimentos foram empurrados para o segundo ou terceiro escalão da grande mídia. 
Salvo alguns medalhões sobreviventes dos gêneros, o Rock e o Heavy Metal sobrevivem em tempos complicados para o mercado a expansão do POP como um todo. Mas, tanto o Rock quanto o Metal são, ainda, um dos poucos estilos que nos brindam com verdadeiros petardos relevantes, provocativos e, porque não, incomodam os “ouvidinhos” sensíveis dos desavisados.
Dessa forma, aqui estão os melhores álbuns que fizeram isso acontecer.

10 - Cavalera Conspiracy - Psychosis



Max e Igor têm trabalhado bastante nos últimos anos e vêm entregando trabalhos crescentes e maravilhosos.   Desde o lançamento de Inflikted (2008), a banda vem ampliando suas possibilidades, empunhando poder e dinamismo ao som corpulento que os irmão Cavalera sempre se propuseram a fazer.
Em Psychosis e no Cavalera Conspiracy como um todo, os riffs continuam sendo o carro chefe da pegada brutal do projeto. Sempre marcantes e sem frescura , tanto as guitarras quanto a cozinha se matem alinhadas como um bloco único, causando uma demolição em massa das caixas de som. Ouça a faixa Spectral War e você entenderá sobre  que estou falando. Aliás, essa faixa tem uma estrutura bem parecida a Apes Of God do Sepultura, música já da fase Derrick Green. Cópia? Evidente que não! Mas isso só mostra que Max aprendeu bem com Andreas a compor bons riffs.
Na batera Igor mostra que ainda está em excelente forma, as faixas Terror Tactics e Judas Pariah confirmam isso com folga. Uma paulada atrás da outra sem tirar o pé.
Sem dúvida esse é o álbum mais agressivo do Cavalera Conspiracy e um dos discos mais pesados de toda a discografia de Igor e Max.
 De longe, esse álbum supera seus anteriores, não só pelas músicas, mas também pela produção mais limpa, onde tudo é mais claro, criando um caos controlado, facilitando ouvir bem todos os elementos. Mas o que manda aqui é realmente o peso do disco, ouça com o volume no talo e sinta seus pés descolarem do chão. 
Dentro do Heavy Metal talvez, o Thrash Metal seja o estilo que menos se reinventou ao longo dos anos. Todos os outros movimentos do metal extremo conseguiram de certa forma evoluir e agregar outros estilos na sua sonoridade. O berço do metal mais agressivo ainda continua purista ao longo dos anos e claramente pouca coisa mudou. Isso pode até soar como uma falta de originalidade por parte das bandas mais novas, mas depois que você ouvir Feed Me Violence do Evil Invanders, com certeza você vai achar esse papo de evolução uma besteira total.
O thrash tem e deve ser assim, na veia!!!
Com muita influência de Destruction, Exodus, Metallica e Slayer dos anos 80, no seu segundo álbum o quarteto belga mostra que tem potencial para se destacar na nova geração do metal. Como eu posso apostar nisso? Ouça a  consistência de músicas como Broken Dreams In Isolation, Shades of Solitude, As Life Slowly Fades e Among the Depths of Sanity.
Sinceramente, o ano de 2017 não foi um ano tão grandioso para o Thrash Metal, poucos lançamentos de destacaram, mas garanto que o novo trabalho do Evil Invanders contribuiu e muito para que não passasse em branco. Stay Thrash!!! 
Com certeza se alguém dissesse sobre a união de Bjorn Strid e Sharlee D’Angelo, Soilwork e Arch Enemy respectivamente, não pensaria em outra possibilidade a não ser em uma banda de metal, correto? Não! Muito pelo contrário. 

O The Night Flight Orchestra, completado por David Amdersson (guitarra), Sebastian Forslund (guitarra e percussão), Richard Larson (teclados) e Jonas Kallsback (bacteria) em nada se parece com uma banda de Heavy Metal na sonoridade. Em seu terceiro disco o projeto levou o classic rock eo AOR dos dois primeiros lançamentos a outro patamar

Temos aqui a inclusão de muita influencia de soul e funky e, principalmente da disco music do final dos anos de 1970, como pode ser conferido em Star Of Rio e as sensacionais Gemini, Domino e Saturn in Velvet. Tudo isso acontece sei deixar a veia rock de lado e, essa união de estilos nos remete ao início dos anos 80 com todo louvor

Possivelmente em algum momento você pode se permitir imaginar ouvindo qualquer disco do Styx do início da década de 1980, principalmente o conhecidissímo Kilroy Was Here (1983), ou até de estar ouvindo uma trilha nunca mostrada de Flashdance, por exemplo. 

Sensacional, né? E a coisa só fica melhor com o andar da carruagem. Em Midnight Flyer(com introdução em português), Sad State of Affairs e Jennie é uma explosão de nostalgia única. Todas, da prieira à última faixa, com refrões primorosamente pegajosos o álbum te ganha e fazem de Amber Galactic Adversia um dos melhores discos de 2017.  
Tentar julgar o novo disco do The Faceless é uma loucura, é como tentar julgar uma obra de arte independentemente das circunstâncias que cercam sua concepção.
Quase dez anos depois do lançamento de  Planetary Duality, um dos discos mais importantes pro technical death metal e sem dúvida para a história da banda, o projeto de Michael Keene retorna com mais um petardo tecnicamente monstruoso.
Uma coisa In Becoming a Ghost que é inegável, o som desse novo material é completamente independentemente do que já foi aplicado nos três trabalhos anteriores. Goste ou não, este é o álbum mais melódico e limpo da banda. Na verdade, Keene parece ter empurrado a gama músical para um próximo nível. Há mais vocais limpos do que nunca, mais sintetizadores a amostra. Para alguns, isso pode soar como algo negativo, principalmente pra quem acompanhou os álbuns anteriores. Mas parece ser a direção certa para a banda considerando a totalidade do álbum. Esses momentos são quando as músicas brilham, em I Am você poderá ter a perfeita noção disso.
Em tempos onde  bandas como Archspire, Obscura e First Fragment existem, seria uma tarefa impossível para o The Faceless se reinventar. Mas isso eles tiraram de letra, bastou honestidade nas pequenas mudanças de produção e arranjos vocálicos que tudo flui bem mais fácil ao ouvir o disco.
Até mesmo em momentos mais tensos e extremos como em  Digging The Grave e Shake The Disease, banda resgata o ouvinte com momentos impares, emoldurando toda a violência com pura genialidade e sutileza.
Por fim, In Becoming a Ghost é um disco para ser degustado mais de uma vez e garanto que a cada audição algo novo se abrirá e novas nuances serão capitadas.  Aproveite essa obra prima.
Tente imaginar se os garotos do Led Zeppelin fossem jovens nos dias atuais, qual som eles fariam? Não dá pra saber, mas eu garanto que o som do Dätcha Mandala é o mais próximo do que seria. E talvez, até mais Led que o próprio Led, claro que com extremo respeito.
Com o lançamento do seu primeiro “full length” a banda escancara a porta com louvor e um frescor único e com uma fonte inesgotável de influência do Led Zeppelin dos anos de 1970.
O disco abre com Have You Seen TheLight, um rockão com pegada de desert rock, guitarras dobradas e melôdias certeiras que eu garanto que vão te fazer dar um “repeat” logo de cara.
Já Da Blues, a segunda faixa, é aquele blues rock abertamente Led Zeppelin e toda escola anos 70’s que puder, uma das melhores faixar do disco, sem dúvida. As faixas seguintes Misery, Anâhata e Uncommon Travel, principalmente essa terceira, repare na brincadeira vocalica com a letra da música aos 1m50s. A banda mostra como pode se estar “up to date” com o seu tempo e ainda sim soas versátil e mesmo com músicas mais calamas e trabalhadas, não soar chato e igual a outras coisas que já existem.
O disco fecha com uma faixa bem longa, Loot, mais de doze minutos e uma viagem sem volta. Peso e um violão armônico sensacional alinham-se  construindo um ambiente único que amarra tudo o que as sete faixas anteriores construiram com maestria.
Um discaralhaço com pouco mais de quarenta minutos de energia que vai te fazer tomar algumas doses de um bom whisky e querer esse play num formato LP na sua estante. Não poderia ter uma definição melhor, é aquele tipo de som que para os amantes de música e discos tem de se fazer presente de forma física.
Ouça sem medo e, toda vez que alguém disser que o “rock morreu”, mostre esse disco e a pessoa que disse essa besteira se arrependerá para sempre. 
Formada na Pennsylvania em 2009, até 2016 essa molecada já havia lançado quatro ótimos discos e desafiado os limites do extremismo sonoro em praticamente todos os discos anteriores.
Então, qual o diferencial desse novo trabalho?
A banda fez algumas escolhas criativas brilhantes. O que eles oferecem com Trumpeting Ecstasy, é afastar a linearidade de Merzbow ou a estética mais obscura de The Body e você fica somente com uma força implacável que vai demolir seus tímpanos. Em Trumpeting Ecstasy a banda conseguiu englobar quase todas as formas de música pesada e extrema que existe. Misturando (sludge, death, black, grind, gore, etc...), tudo aqui é veloz e raivoso, mas sem perder a inteligência de usar elementos mais quebrados, dando a cadência exata para a avalanche sonora. Em Crawling Back to God fica nítido essa percepção e que logo em sequência, com Fractured Quartz, tudo volta a ficar urgente e desesperador.
Suponho que alguns com ouvidos mais sensíveis ache desnecessário um álbum como este estar entre os melhores do ano, isso eu até posso compreender mas, se depois de ouvir a faixa título do álbum você não entender o motivo pelo qual esse disco está aqui, com certeza você deverá rever todos os seus conceitos musicais. 
Com quase duas décadas de existência, o mais curioso na carreira do Corpus Christii é que só na última década eles conseguiram lançar os seus álbuns mais concisos.
Desde o lançamento de Rising (2007), a evolução da banda é inegável pois, mesmo com as raízes fortemente atreladas a escola Mayhem de Black Metal, a partir de Rising a banda criou verdadeiramente uma identidade própria, identidade essa que deságua e culmina no seu oitavo trabalho, Delusion.
O disco já abre os trabalhos com The Curse Within Time, uma das melhores músicas do disco e também pode ser considerada uma das melhores músicas da banda. Em Chamber Soul, temos uma linha do Black Metal mais clássico, totalmente enraizado na sonoridade dos anos 90.
A terceira faixa Become the Wolf, abre as portas para andamentos mais Rock n’ Roll, que com a crueza e a sujeira da banda é executada com maestria, não só nessa música, como também em Seeker of All a banda demonstra total abertura dentro da sua sonoridade fortemente atrelada aos clássicos. Ponto para a banda!
 I Am the Night abre o terceiro ato com um clima mais denso e ritmado, até mesmo quando o som acelera, tudo soa contido e dentro de um angustiante plano claustrofóbico.
Em  Near the End e Carrier of Black Holes, é como se todo álbum fosse compilado nas duas últimas faixas fazendo com que o ouvinte sinta todo o poder musical contido álbum. Várias mudanças de andamento, som mais quebrado e guitarras cortando o ar como serras intermitentes. Não consigo imaginar outro disco de Black Metal terminando de forma tão avassaladora quanto essa.
O novo disco não é só um dos melhores lançamentos do ano, mas sem duvida o melhor álbum da banda. 
Quando o Ulver lançou o seu controverso Themes from William Blake's The Marriage Of Heaven And Hell (1998), eles não imaginariam que mesclando tantos elementos no som e na estética Black Metal da banda, influênciariam tantas outras a apartir dali. Bandas como Agalloch e Alcest maiores expoentes do gênero Post-Black Metal ou Blackgaze como é conhecido, deram espaço ainda mais amplo para essa nova safra. 

E é nesse contexto em que o Fen se encaixa perfeitamente. Com o seu mais novo trabalho “Winter”, eles conseguiram sentetizar toda atmosféra melancólica e soturna que é a junção do Shoegaze ao Black Metal. Esse novo disco carrega toda proposta da banda desde o bom, mas ainda inexperiente The Malediction Fields de 2009, algo que em Winter já foi superado notadamente. Aqui ouvimos uma banda madura e extremamente segura dentro do seu propósito, que lança não só o seu melhor disco, como um dos melhores do ano.
Todas as faixas possuem o mesmo nome homônimo do disco, algo bem comum no cenário post metal atual. A primeira e extensa faixa do álbum funciona perfeitamente como um anunciador para o resto do disco. Aliás, não espere músicas curtas, todas as seis faixas do álbum ultrapassam os nove minutos de duração, mas em nenhum momento o disco soa cansativo e pedante pelas várias mudanças de andamento e clima. Isso faz com que o álbum traga a sensação refrescante de espaço, textura e drama para às composições. sem nunca comprometer a intensidade sombria ou a precisão técnica do ataque da banda. Todo o disco é uma viagem única, quase uma experiência lisérgica e deve ser apreciado como um todo de uma só vez e eu garanto que a sua mente não será a mesma ao final da audição.
Sem dúvida alguma é um disco essencial pra qualquer amante de música de qualidade. 
A Islândia tem nos brindado com ótimas bandas nos últimos anos e obvio que Sólstafir é uma delas.
Apesar de não ser uma banda categoricamente de Black Metal, houve um tempo em que a banda era conhecida apenas pelo público do Black Metal, mas o som da banda sempre caminhou para além das linhas do estilo. Depois do maravilhoso álbum duplo Svartir Sandor (2011), o quarteto abriu definitivamente as portas para o grande público do metal alternativo. Mas nesse meio tempo a banda passou por alguns problemas na sua formação com a saída de um dos seus fundadores, o baterista “Gummi” Óli Palmason em 2015. Isso afetou a sonoridade da banda? Sim, para melhor!
A abertura do disco com Silfur-Refur deixa claro que a nova fase da banda está cada vez mais sólida e com o horizonte à seu dispor. As linhas de bateria de Jón Hallgrimsson são cristalinas e parecem comandar a bem trabalhada composição. Isafold tem uma pegada mais POP e ganha o ouvinte logo de cara, enquanto a longa Hula faz você sentir uma perfeição sonora que garanto que há muito tempo não ouvia. O disco segue com uma música superando a outra, assim como Berdreyminn foi superando disco por disco ao longo de 2017. Deixá-lo em segundo lugar não foi uma tarefa fácil, mas deixa-lo entre os melhores foi bem simples, desde o seu lançamento eu já sabia que ele não sairia do seu posto. Simplesmente ouça. 
O Anathema retornou em 2010 e nesse período soltou três álbuns de impacto, mantendo a pegada progressiva e melancólica.
Assim como seu antecessor Distant Satellites (2014), esteve na minha lista de melhores naquele ano, The Optimist deve estar na minha, na sua ou em qualquer outra lista de melhores do ano.
Conceitual, o disco é a sequência da história iniciada no ótimo disco A Fine Day to Exit de 2001, que narra a trajetória de um fugitivo. O álbum começa com a faixa 32.63n177.14w, são coordenadas da praia de Silver Strand na California, último conhecido do personagem. 

O disco segue com a pulsante faixa Leaving it Behind, que abusa dos sintetizadores. Na terceira música, Endless Way, tudo começa mais lento com um piano suave e vai se desenrolando de forma única e brilhante. 

Elogiar o trabalho vocal da banda é chover no molhado, a dupla Lee Douglas e Vincent Cavanagh são impecáveis. Seguindo, em San Francisco e a ótima Springfield são, na maior parte, instrumentais e pra quem acompanha a trajetória do personagem, não é difícil conectá-las com a imagem dele ao volante percorrendo esses caminhos. Ghost é uma balada mais simples, mas com arranjos orquestrais irreprimíveis à frente. Em Can’t Let Go a levada é leve, rápida alegre. Até que chegamos na última e épica faixa Back to the Start, com som de ondas ao fundo, arranjo e melódia que ultrapassam qualquer barreira da perfeição por mais de onze minutos, com a parte final como um desfecho que amarra tudo o que foi milimetricamente construído ao longo do disco.
Para se fazer uma obra prima dessas é preciso extrema qualidade musical, muita criatividade, audácia e comprometimento com arte sem qualquer tipo de medo de errar.
Você possivelmente pode se perguntar porque esse disco está em primeiro lugar dessa lista. Resumo, ouça e ele estará em primeiro na sua lista também.  

Por Coveiro Lima


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